quarta-feira, 2 de abril de 2008

Os "serás" das nossas vidas!!!

Ontem foi dia de culto, dia em que a sociedade determinou como “dia da mentira”. Não quero espiritualizar esse ditado, e não é esse assunto que quero tratar com esse artigo...

“Que palavra ontem hein?”, ouvi de muitos... Realmente, uma abençoada palavra... Nunca tinha ouvido de uma forma tão simples e objetiva uma pregação no que se refere sobre autoridade, não quero lembrar vc da pregação, se vc não estava, vc perdeu a benção, compra o cd, senta na tua casa, e presta a atenção em cada detalhe... Foi muito loco. Mas, enfim, vamos ao que interessa.

Conversando com a Amanda ontem no estacionamento da igreja, e o assunto que veio a tona é sobre dor, lágrimas, e eu na minha mente já fiz um esboço e até comentei “vou escrever sobre esse assunto”, então demoro...

“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.” William Shakespeare

Não sou masoquista. Não tenho compulsão em sofrer, nem, sadicamente, gosto de ver o sofrimento do outro. Uma vez, ouvi de uma amiga a seguinte afirmação: “Não gosto de sofrer!”. Tenho certeza que a esmagadora maioria das pessoas responderia o mesmo, se lhes fosse perguntado se gostam de sofrer. Ninguém gosta, ninguém quer. POIS ESSE É O PROBLEMA!!! Explico.

O sofrimento, a dor, é inevitável, faz parte da vida, da existência. Mostre-me alguém que nunca sofreu e lhe mostrarei alguém que não tem sentimentos ou que ainda não viveu. O problema não está no fato de não gostarmos de sofrer, ou de sentir dor. O problema reside no fato de pessoas desesperadamente lutarem para evitar o sofrimento. Pense bem: se ele é inevitável, então é loucura, tolice, ou perda de tempo lutar desesperadamente para evitá-lo. Ele virá, quer você queira ou não. O correto seria criar uma mente e o coração preparados para o sofrimento.

Pessoas que gastam suas energias e seu tempo tentando evitar o sofrimento esquecem de construir as condições necessárias para enfrentá-los. Tornam-se débeis, frágeis, enfim, despreparadas. Não reúnem as características de personalidade e caráter necessárias para enfrentar e superar a dor, principalmente a da alma. Ou seja, NÃO TEM DEFESAS, pelo simples fato de terem evitado se expor às contrariedades. Vc conhece bem o princípio fisiológico da imunização, ou do que chamamos “criar defesas no organismo”. Pois bem, não é diferente na alma.

Pessoas que evitam sofrer não crescem, pelo simples de não quererem correr o risco de sentir a dor do fracasso. Elas, antecipadamente, visualizam a derrota, imaginam a dor consequente da mesma, e não dão um passo à frente. Esse é o problema de quem evita o sofrimento: se esconde do avanço, do crescimento e do sucesso. Por que não querem sofrem não concorrem às melhores posições no trabalho; não tem coragem de vender para os melhores, ouvi um testemunho uma vez na igreja que congrego, que o cara entrou em uma empresa de seguro de viagem e o histórico dessa empresa era a pior, ninguém fechava com eles, e esse rapaz que entrou nessa empresa é cristão e os caras da empresa começaram a zombar dele “pede para o teu ai, pra ver se ele te ajuda”, e esse homem disse assim “Ae Deus, os caras estão falando de vc”. Resumindo, esse homem no qual os caras tiravam sarro, não conseguiam vender para os melhores clientes, os que tem mais recursos e ele entrou na empresa e com a ajuda de Deus, conseguiu fechar com todas as empresas que os outros não conseguiram. Mas voltando... Não investem nos relacionamentos que tanto desejam; não ousam em suas idéias e projetos por medo da rejeição. Elas voam baixo, sonham pequeno, crescem pouco. Mal sabem elas que é na dor, no sofrimento que se mais cresce. Não existe quebra de recordes, grandes vitórias, superação sem o sofrimento da dor.

Lógico que também crescemos na vitória, na conquista. Mas este é um crescimento que traz embutido sua parcela de perigo, pois pode gerar uma falsa sensação de poder, de suficiência, de perfeição. A dor da derrota, da rejeição, do desprezo PODEM ser transformadas em poderoso combustível para a melhoria, para o aperfeiçoamento, enfim, para o crescimento. Mas não se consegue isso com uma postura de “não quero sofrer”. O apóstolo Paulo deixou uma lição belíssima para todos nós quando disse: “e Deus me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. 2Co 12.9

Eu não estou falando de criar em você uma pessoa insensível, dura, amarga, Engana-se quem pensa que essas pessoas, por agirem assim, estão mais preparadas para enfrentar o sofrimento. Essas, na verdade, sofrem mais. Já lhe falei, sofrer e sentir as dores consequentes do sofrimento são inevitáveis. Os duros, frios e amargos sofrem mais porque não dão vazão à dor, se encolerizam. Pelo contrário, se preparar para a dor do sofrimento significa amolecer a alma, tornar-se mais flexível, aceitar as contrariedades, mas tomar a decisão de APRENDER COM ELAS. A pergunta diante da dor deveria ser: “e agora, o que eu faço com você? Me abato ou aprendo e me supero?”

É necessário que compreendamos que sofre mais quem sofre antecipadamente, conversando hoje com meu amigo (um jovemzinho de 78 anos) Dr. Octávio, médico formado em psicologia, neurologia e psiquiatria, disse que ele atende pacientes que “não avançam pq visualizam a derrota.”

Porque além de duelar com a mediocridade de seu caráter e valor, carregará para sempre a dor da dúvida: “será que eu conseguiria; será que eu conquistaria; será que eu venceria?” É a síndrome do “será”! Os serás de nossas vidas...

Agora eu te pergunto: Será que vale a pena viver assim? Será que faz sentido viver evitando a dor? SERÁ?

Povo, viva como se fosse o último, dá o teu melhor. E se não for o último dia, seja grato por toda pequena conquista.

Deus abençõe.

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